sábado, 19 de junho de 2010

Sê leve - Fabio de Melo

Estava lendo um Blog que sigo e me deparei com uma coisa muito legal!

Geralmente acho incrivel quando alguém escreve algo com que você se identifica, e melhor ainda é quando aquilo serve para todos, para o ser humano.

No blog estava falando de viagem, veja ai o texto:


O peso que a gente leva..Olho ao meu redor e descubro que as coisas que quero levar não podem ser levadas. Excedem aos tamanhos permitidos. Já imaginou chegar ao aeroporto carregando o colchão para ser despachado?
As perguntas são muitas... E se eu tiver vontade de ouvir aquela música? E o filme que costumo ver de vez em quando, como se fosse a primeira vez?
Desisto. Jogo o que posso no espaço delimitado para minha partida e vou. Vez em quando me recordo de alguma coisa esquecida, ou então, inevitavelmente concluo que mais da metade do que levei não me serviu pra nada.
É nessa hora que descubro que partir é experiência inevitável de sofrer ausências. E nisso mora o encanto da viagem. Viajar é descobrir o mundo que não temos. É o tempo de sofrer a ausência que nos ajuda a mensurar o valor do mundo que nos pertence.
E então descobrimos o motivo que levou o poeta cantar: “Bom é partir. Bom mesmo é poder voltar!” Ele tinha razão. A partida nos abre os olhos para o que deixamos. A distância nos permite mensurar os espaços deixados. Por isso, partidas e chegadas são instrumentos que nos indicam quem somos, o que amamos e o que é essencial para que a gente continue sendo. Ao ver o mundo que não é meu, eu me reencontro com desejo de amar ainda mais o meu território. É conseqüência natural que faz o coração querer voltar ao ponto inicial, ao lugar onde tudo começou.
É como se a voz identificasse a raiz do grito, o elemento primeiro.
Vida e viagens seguem as mesmas regras. Os excessos nos pesam e nos retiram a vontade de viver. Por isso é tão necessário partir. Sair na direção das realidades que nos ausentam. Lugares e pessoas que não pertencem ao contexto de nossas lamúrias... Hospitais, asilos, internatos...
Ver o sofrimento de perto, tocar na ferida que não dói na nossa carne, mas que de alguma maneira pode nos humanizar.
Andar na direção do outro é também fazer uma viagem. Mas não leve muita coisa. Não tenha medo das ausências que sentirá. Ao adentrar o território alheio, quem sabe assim os seus olhos se abram para enxergar de um jeito novo o território que é seu. Não leve os seus pesos. Eles não lhe permitirão encontrar o outro. Viaje leve, leve, bem leve. Mas se leve.

(fabiodemelo.com.br - © 2003/2010 - todos os direitos reservados)
Isso me faz lembrar de uma frase, É preciso se perder para se encontrar!

2 comentários:

Eu nunca disse adeus.. disse...

As coisas que eu quero levar, também não podem ser levadas. Aagora... o colchão já é demais né?!
rsrs


"É nessa hora que descubro que partir é experiência inevitável de sofrer ausências" essa frase vou levar pra vida toda já que eu só vivo de saudade, guardo os outros assim como queria que me guardassem .

"Viajar é descobrir o mundo que não temos" e talvez seja por isso que quero tanto sair daqui. Sou uma pessoa que não se contenta, quero descobrir, explorar, acho que as pessoas devem querem mais pra si, se já tenho isso então me resta conquistar aquilo.E isso não me faz infeliz mas sedentea do saber.

Viajo sem medo de das ausências justamente porque quero é mais bagagem

Beeijo .. amei o texto

Amanda Vieira Borges disse...

Quero recordações...
Quero histórias para se contar!
;*