domingo, 1 de agosto de 2010

E o céu se fez - III

" Um minuto depois as duas menininhas saíram para a escola; Anne ia muito zelosa, segurando a mão de Lucy enquanto elas atravessavam a rua.

- A tia Irene vai ser nossa nova mãe? - Perguntou Lucy.
- Como ela pode ser nossa mãe se é a nossa tia?
- Eu não sei - respondeu Lucy, encolhendo os ombros. - Como ela faz tudo iguazinho a mamãe fazia, achei que ela talvez fosse a nossa nova mãe.
- Ela é uma babá, só isso.
- Ah! Bem, ela vai fazer nossos vestidos brancos para a Páscoa?
- Não sei. Você pode usar o meu do ano passado.
- Eu não quero usar o seu vestido velho! Mamãe me prometeu que faria um vestido novinho para a Páscoa. Quem vai fazer o vestido?
- Bem eu não sei quem vai fazer! - Anne estava tendo dificuldade para impedir que seus lábios tremessem.

Lucy parou, largou a mão de Anne, e começou a chorar e soluçar:

- Não quero que mamãe esteja morta! Quero que ela faça meu vestido de Páscoa! Vou voltar para casa. - Anne segurou novamente a mão da irmã.
- Quero minha mããããe!

Anne, que também a queria, envolveu Lucy em seus braços e cofiou seu cabelo, do jeito que sua mãe teria feito.

- Vamos, Lucy, vamos falar com a irmã Regina. Ela vai saber o que fazer.

Quando elas entraram, a freira estava escrevendo no quadro: "Doze de setembro, dia do sagrado nome de maria." Alguns de seus alunos já haviam chegado.

- Bom dia, irmã - disse Anne.

Lucy tentou dizer a mesma coisa, mas as palavras saíram entrecortadas por seu choro.

- Bom dia, crianças. Oh, Lucy, o que há? - disse a irmã, carinhosa.
- Ela quer voltar para casa, mas mamãe não está lá.

Lucy esfregou os olhos, soluçando.
- Quero minha mãezinha.

Alguns de seus colegas de classe viraram-se para olhar, fascinados.

- Venham comigo - disse a irmã. Segurando-lhes as mãos,conduziu-as através do vestíbulo, até a sala de batânica. Encostadas cantra uma parede, uma cama de metal coberta com uma lona de exército servia de mesa para uma freira.
A religiosa sentou-se e chamou as crianças para perto, percebendo que estava se sentindo confusas e desamparadas. Embora o código sagrado proibisse, ela as abraçou.

- E agora, o que fez vocês chorarem neste dia tão lindo?
- Ela quer a nossa mamãe de volta...
- Oh, Lucy, querida, todos gostaríamos disso. Mas deixe-me dizer uma coisa. Quando você entrou na sala de aula um minuto atrás, sabe o que eu estava escrevendo no quadro? Eu estava escrevendo que dia é hoje. E você sabe que dia é hoje?

Lucy fitou-a com os olhinhos lacrimosos e meneou a cabeça negativamente.

- Ora, é dia sagrado nome de maria. Isso significa que se nós pedirmos à virgem santíssima para interceder por nós hoje, em qualuer assunto, temos uma boa chance de nos fazer ouvir. Acho que devemos perguntar à virgem se sua mãe está feliz no céu. Devemos fazer isso?

- Acho que sim.

Continuando a segurar as crianças com força, irmã Regina fechou os olhos e rezxou em voz alta:
- santa maria, mãe de Jesus, que amava e cuidava de seu filho assim com Krystyna amava e cuidava de suas filhas, Anne e Lucy, queremos enviar uma oração para que a alma de sua mãe seja feliz e fique ao lado de Jesus. Anne e Lucy querem que sua mãe saiba que elas farãm o máximo para perseverar aqui na terra.

- Irmã? - sussurou Lucy.

Irmã Regina baixou os olhos para o rosto angelical erguido para ela.

- Sim, Lucy?
- O que quer dizer "pôr-se-verá"?
- Perseverar. Quer dizer dar o máximo de si quando as coisas estão muito difíceis. Mas pense bem: vocês contam com a ajuda especial não apenas de Jesus, mas também da sua própria mãe, que agora estão no céu com Ele.
- Mas como ela pode me ajudar? Ela pode fazer meu vestido de Páscoa?
- Não, Lucy, mas ela encontrará uma forma de fazer você conseguir um.
- Como?
- Bem, a sua mãezinha é um anjo agora, e os anjos sempre encontram um jeito. "

(Irmã Regina, Anne e Lucy)

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