terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Um dia saberei.

É uma situação complicada. E eu sempre pensei que o mundo deveria parar naquele momento. Mas ele nunca para!
O meu mistério é, como eles avisam, em um detalhe que ninguém percebe mas que está solto para qualquer canto que se olha. No momento em que se vão tudo parece um quebra cabeça, que aos poucos se encaixam.
Um sentimento único, uma ausência única, em um ciclo de vida que não se repete.
E aos poucos tento entender a perda. A falta. A saudade. A morte.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Sweet jardim - Tiê


Plantei num jardim um sonho bom,
Mostrei meus espinhos pra você.
Faz que desamarra o peso das botas e fica feliz.
Abre o guarda chuva que hoje o sol desistiu de sair.
Esse perfume de alecrim
Trouxe de volta um sonho bom.
Posso até olhar pela janela
E recitar "une petit chanson"
Cantei pra você meus velhos tons,
Perdi seu ouvido pro jornal.
Eu trago a dança que me inspirou o café sem açúcar e tal
Analise o fundo da xícara, a esperança é igual.
Eu confesso só me resta a vida inteira.
Só me resta vida em MI maior e LÁ

domingo, 9 de janeiro de 2011

Amizade sincera


A mulher encontra com outra na rua: "Nossa, como você ta linda!". Quando viram as costas vem o comentário: "Nossa, como ela engordou!".

Um homem encontra com outro na rua: "Fala seu gordo-careca-bichona!". Quando viram as costas vem o comentário: "Esse cara é gente fina!".



Post feito em pedido de Rodrigo Ileck ;)

sábado, 8 de janeiro de 2011

Assinado eu - Tiê


Já faz um tempo que eu queria te escrever um som.
Passado o passado,
Acho que eu mesma esqueci o tom.
Mas sinto que eu te devo sempre alguma explicação.
Parece inaceitável a minha decisão.
Eu sei.
Da primeira vez,
Quem sugeriu,
Eu sei, eu sei, fui eu.

Da segunda
Quem fingiu que não estava ali,
Também fui eu.
Mas em toda a história,
É nossa obrigação saber seguir em frente,
Seja lá qual direção.
Eu sei.


Tanta afinidade assim, eu sei que só pode ser bom.
Mas se é contrário,
É ruim, pesado
E eu não acho bom.
Eu fico esperando o dia que você me aceite como amiga,
Ainda vou te convencer.
Eu sei.

E te peço,
Me perdoa,
Me desculpa que eu não fui sua namorada,
Pois fiquei atordoada,
Faltou o ar,
Faltou o ar.

Me despeço dessa história
E concluo: a gente segue a direção
Que o nosso próprio coração mandar,
E foi pra lá, e foi pra lá.

E te peço,
Me perdoa,
Me desculpa que eu não fui sua namorada,
Pois fiquei atordoada de amor
Faltou o ar,
Faltou o ar.

Me despeço dessa história
E concluo: a gente segue a direção
Que o nosso próprio coração mandar,
E foi pra lá, e foi pra lá, e foi pra lá.


- uma das minhas musicas preferidas,
vale a pena ouvir .

caminho .

Você está novamente em meu caminho, invadiu a minha estrada.
Eu te peço me perdoe, mas no meu trajeto você não vai mais de carona!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O Vendedor de Passados - José Eduardo Agualusa XVI

" Sou animista. Sempre fui, mas só há pouco isso me ocorreu. Passe-se com a alma algo semelhante ao que acontece à água: flui. Hoje está um rio. Amanhã estará mar. A água toma a forma do recipiente. Dentro de uma garrafa parece uma garrafa. Porém, não é uma garrafa. Eulálio será sempre Eulálio, quer encarne (em carne), quer em peixe. Vem-me à memória a imagem a preto e branco de Martin Luther King discursando à multidão: eu tive um sonho. Ele deveria ter dito antes: eu fiz um sonho. Há alguma diferença, pensando bem, entre ter um sonho ou fazer um sonho.
Eu fiz um sonho.
Lisboa, 13 de fevereiro de 2004 "

O Vendedor de Passados - José Eduardo Agualusa XV


" - Eu estou finalmente em paz. Não receio nada. Não anceio por nada. Acho que a isto se pode chamar felicidade. Sabe o que dizia Huxley? A felicidade nunca é grandiosa. "

O Vendedor de Passados - José Eduardo Agualusa XIV


" Fui quem fui porque me faltou coragem para ser diferente. "

O Vendedor de Passados - José Eduardo Agualusa XIII

" - Luanda está cheia de pessoas que parecem muito lúcidas e de repente desatam a falar línguas impossíveis, ou a chorar sem motivo aparente, ou a rir, ou a praguejar. Algumas fazem tudo isso ao mesmo tempo. Umas julgam que estão mortas. Outras estão mesmo mortas e ainda ninguém teve coragem de as informar. Umas acreditam que podem voar. Outras acreditam tanto nisso que realmente voam. É uma feira de loucos, esta cidade, há por aí, por essas ruas em escombros, por esses musseques em volta, patologias que ainda nem sequer estão catalogadas. Não leve a sério tudo o que lhe dizem. Aliás, aceita um conselho?, não leve ninguém a sério.
- Talvez ele não seja realmente louco. Talvez esteja a fazer-se de louco.
- Não vejo a diferença. Um sujeito que escolheu viver na rua, dentro de uma sarjeta, que acredita na reconversão da Rússia ao comunismo, e que além do mais quer ser confundido com um louco - pra mim é louco. "

Receita de Ano novo - Carlos Drummond de Andrade


" Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre. "

Feliz 2011